Com personagens bizarros e violência, O Esquadrão Suicida entrega aventura frenética e emocionante [REVIEW]

Dirigido por James Gunn, O Esquadrão Suicida redime a franquia após o fracasso de 2016

Felipe Grutter (com supervisão de Yolanda Reis) Publicado em 07/08/2021, às 14h00

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O Esquadrão Suicida (Foto: Divulgação/Warner Bros.)

Após James Gunn ser demitido de Guardiões da Galáxia Vol. 3 por tuítes antigos e polêmicos, Warner Bros. não demorou em recrutar o diretor para o Universo Estendido DC (DCEU). Quando a empresa o contratou, o cineasta teve liberdade de fazer um filme de qualquer propriedade intelectual da DC Comics. Curiosamente, escolheu Esquadrão Suicida, franquia fracassada na crítica após o filme de 2016 dirigido por David Ayer e retalhado pelo estúdio.

Intitulado O Esquadrão Suicida, o filme lançou em 5 de agosto de 2021, com boa recepção de público e crítica até o momento - conta com 93% de aprovação no Rotten Tomatoes, um dos melhores desempenhos de um filme do DCEU no site. Com personagens bizarros e violência, a produção entrega uma aventura frenética e emocionante ao melhor estilo James Gunn possível.

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Além de liberdade para escolher em qual franquia trabalharia, Gunn teve carta branca para usar e matar qualquer personagem. Ou seja, o cineasta aproveitou a “horrivelmente bela mente,” como definem os materiais de divulgação da produção, com bastante humor e violência.


Comparações com Esquadrão Suicida (2016) são inevitáveis

A divulgação de Esquadrão Suicida (2016) foi realmente impressionante: vendeu um filme épico, com belas cenas de ação, ótimos personagens, trilha sonora impecável e ritmo frenético, mas entregou nem metade disso. Destaque para o trailer com Bohemian Rhapsody,” do Queen, como trilha.

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Diferente do primeiro, a edição de O Esquadrão Suicida não causa estranhamento e encaixa as cenas de maneira orgânica, passando por capítulos com os títulos exibidos nos ambientes por meio de fogo, fumaça, raízes de árvore, etc. Por exemplo, “Bring Me The Heads of the Suicide Squad” (“Tragam-me as cabeças do Esquadrão Suicida,” na tradução livre) foi escrito com terra da floresta.

capítulo “Bring Me The Heads of the Suicide Squad” de Esquadrão Suicida

Apesar de ser uma boa ideia, os capítulos não são bem executados, porque a maneira como são dispostos fica confusa em alguns momentos - e difíceis de ler. Além disso, todos personagens são bem aproveitados, mesmo aqueles com pouco tempo de tela. A trama também faz jus ao nome: muitos dos personagens morrem ao longo do caminho.

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Outros aspectos do filme

Os integrantes do novo Esquadrão Suicida são: Rick Flag (Joel Kinnaman), Sábio (Michael Rooker), Dardo (Flula Borg), Arlequina (Margot Robbie), Bolinha (David Dastmalchian), Caça-Ratos 2 (Daniela Melchior), Sanguinário (Idris Elba), Tubarão-Rei (Sylvester Stallone), Mongal (Mayling Ng), Blackguard (Pete Davidson), O.C.D. (Nathan Fillion), Doninha (Sean Gunn), Capitão Bumerangue (Jai Courtney) e Pacificador (John Cena).

personagens de Esquadrão Suicida

A trama acompanha o envio dos supervilões mais perigosos (assim como esquisitos) do mundo para a remota ilha de Corto Maltese, em uma tentativa do governo dos EUA de derrubar uma ditadura e destruir todos os vestígios do Projeto Estrela-do-mar.

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James Gunn soube se aproveitar das bizarrices e peculiaridades de cada personagem, tornando-os um dos pontos fortes do longa. Doninha, interpretado pelo irmão do diretor Sean Gunn, é o mais esquisito - e um dos principais alívios cômicos - dos 14 integrantes do Esquadrão Suicida comandado por Amanda Waller (Viola Davis) e Rick Flag.

A relação entre cada personagem é bem construída, com destaque para Pacificador, quem terá a série própria na HBO Max, e Sanguinário. Ambos vilões possuem habilidades similares, algo que virou piada no filme, e a rivalidade entre os dois, seja em diálogos ou disputa para quem ver quem mata “mais bonito” é simplesmente sensacional e hilário.

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Arlequina ganha bastante destaque: tem os próprios momentos épicos em cenas de ação, não está sexualizada e a atuação de Margot Robbie continua genial. Mesmo com nome ridículo, Bolinha traz bastante emoção e peso ao filme, principalmente pela vida dele e os traumas causados pela mãe. Tubarão-Rei cativa e diverte, contrapondo a natureza dele quando come humanos. A “versão babaca do Capitão América,” Pacificador é um dos melhores personagens, com ótimo trabalho de John Cena.

No entanto, o coração de O Esquadrão Suicida é Caça-Ratos 2, interpretada pela atriz portuguesa Daniela Melchior. A vilã, presa por assalto a banco, cria um laço com Sanguinário, visto como figura paterna, e traz um lado mais humano aos vilões: a personagem se aproxima do público com a bondade - e os flashbacks com o pai, Caça-Ratos (Taika Waititi).

Daniela Melchior (Caça-Ratos 2) e Idris Elba (Sanguinário) em O Esquadrão Suicida

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Assim como nos quadrinhos e animações, a trama do filme não é complexa; afinal, o propósito da franquia é mostrar vilões em missões altamente mortais com objetivo de ficar menos tempo na cadeia. No entanto, a trama entretém a todo momento, com ótimas cenas de ação, momentos cômicos e emocionantes em certas circunstâncias.

O “intuito” do Esquadrão Suicida é acabar com uma ditadura no país fictício Corto Maltese. No entanto, os vilões se deparam com algo maior que tudo. A principal ameaça é Starro, O Conquistador, estrela gigante com um visual incrível capaz de possuir diversos corpos humanos simultaneamente.

Starro, O Conquistador em O Esquadrão Suicida

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Porém, James Gunn soube criticar as ações dos Estados Unidos pelo mundo. O governo estadunidense esteve diretamente envolvido com a criação de Starro - e chamou a equipe para destruir todos os vestígios dessa participação. No mundo real, o país é criticado por imperialismo por exercer influência política, econômica, militar e cultural de maneira autoritária.

De certa forma, O Esquadrão Suicida é o filme que a DC precisava, porque é uma produção de grande escala sem amarras com os outros filmes da editora. O longa faz parte do DCEU, mas Gunn cria algo próprio com personagens bizarros, violência, e aventura frenética, sem compromisso com o restante desse universo.

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